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A Igreja do Assento de Maria -Kathisma-

14 Mar 2000
 SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS EM ISRAEL
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A Igreja do Assento de Maria (Kathisma)
 
 
 

Em 1992, quando a estrada Jerusalém-Belém estava sendo ampliada, um trator desenterrou e danificou acidentalmente um chão de mosaico, permitindo a descoberta, próximo ao Mosteiro de Mar Elias, das ruínas de uma igreja do período bizantino. No início (outubro de 1992 - fevereiro de 1993) escavações limitadas revelaram apenas uma seção da parte ocidental da igreja, pondo à mostra pisos de mosaico, que foram recobertos para garantir sua preservação.

Localizada numa centenária plantação de oliveiras, dentro dos limites municipais meridionais de Jerusalém, em terras pertencentes ao Patriarcado Greco-ortodoxo, o sítio se limita ao sul com um terraço com um reservatório de água descoberto, conhecido por seu nome árabe, Bir Kadismu. Bir significa cisterna ou reservatório, Kadismu preserva o nome grego do lugar, Kathisma, que significa "assento".

Novas escavações em 1997 revelaram uma grande igreja construída no século V e restaurada no século VI. No século VIII foi transformada em mesquita e, pouco depois, destruída.

O tamanho do edifício e seu sofisticado projeto octagonal indicam tratar-se de uma igreja de grande importância. Cercando a pedra chata e protuberante (o "assento"), que é seu ponto principal, havia dois átrios octogonais: o interior servia de passagem (ambulatoria), de onde os fiéis podiam ver o assento de pedra; o átrio exterior dividia-se em algumas salas e quatro capelas. Toda a igreja era rodeada por um envoltório quadrado, dividido em salas com pisos de mosaico.

Quase todas as salas da igreja eram lajeadas com mosaico colorido; alguns foram acrescentados no século VIII. Os mosaicos são em vários tons de vermelho, amarelo e verde, numa grande variedade de desenhos florais e geométricos; as pequenas tesselas foram colocadas sobre uma base firme de gesso.

Entre os motivos há guilhochês (faixas trançadas) intercaladas por medalhões com desenhos de flores. Nos cantos da sala meridional da igreja encontram-se os desenhos de quatro cornucópias (cornos da abundância), carregando folhas de acanto da qual emanam cachos de uvas.

Segundo "A Vida de Teodósio", escrito no século VI, a igreja e o mosteiro da "Antiga Kathisma" foi construída pela rica viúva Ikelia no tempo de Juvenalis, bispo de Jerusalém (450-458). Segundo o relato, a igreja foi construída sobre o local onde Maria repousou, no meio do caminho entre Jerusalém e Belém, e dedicada a Maria Theotokos (sustento de Deus). Conta também que o próprio S. Teodósio foi enviado como monge noviço ao mosteiro da "Antiga Kathisma". A partir do século XII, uma cisterna de água nesta área era considerada um Lugar Santo, e servia de local de descanso e refresco aos peregrinos que viajavam pela estrada Jerusalém-Belém até o final do século XIX.

O sítio atualmente está encoberto e não está aberto à visitação pública.

As escavações foram dirigidas por R. Avner, em nome da Autarquia de Antigüidades de Israel.

 
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