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Israel em foco: Jerusalém - Arquitetura cristã através dos tempos |
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Jerusalém Arquitetura cristã através dos tempos Janeiro 2000
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Yshai Eldar Yshai Eldar é o ex-redator de Vida Cristã em Israel
Oexame histórico da arquitetura cristã em Jerusalém é o estudo da continuidade e sobrevivência, apesar das destruições causadas pelo tempo, guerras, cismas, terremotos e incêndios. É ainda um estudo da contínua influência do costume e da tradição estabelecida no que diz respeito ao estilo, projetos e ornamentação.
Muitas das igrejas, mosteiros, conventos e santuários assinalam sítios associados aos primeiros anos do cristianismo e à vida e ministério de Jesus e seus discípulos. Mesmo nos séculos posteriores, o aspecto destes edifícios era tão influenciado pelas tradições religiosas de cada uma das comunidades cristãs como pelos métodos e estilos de construção correntes na época. As diferenças de tradição também afetaram o traçado dos santuários. Basta verificar que as igrejas ocidentais tendiam a apresentar um altar aberto e elevado, ao passo que as igrejas orientais colocavam o altar por trás de um iconostasis, uma parede que separa o santuário do corpo principal da igreja.
As construções em Jerusalém também costumavam fazer uso repetido de pedras trabalhadas e elementos arquitetônicos antigos. Pedras cortadas do tempo de Herodes - e até mesmo da época dos Hasmoneus - são encontradas em prédios dos períodos bizantino, inicial islâmico ou cruzado; assim, uma janela em forma de roseta, entalhada em pedra, de uma igreja cruzada foi incorporada no chafariz otomano do século XVI, em frente à entrada Bab al-Silsila (Portão da Corrente) do Haram esh-Sharif (o Monte do Templo).
Os primeiros edifícios usados pelos cristãos em Jerusalém como residências e locais de culto eram, provavelmente, construídos nos estilos herodiano e romano. Embora nenhuma estrutura cristã identificável tenha sobrevivido destes períodos, um aspecto do caráter arquitetônico do ambiente onde Jesus e seus discípulos viveram pode ser observado nas ruínas de dois prédios de Jerusalém destruídos pelos romanos em 70 E.C.: a casa queimada, no Quarteirão Judaico e as salas de abóbadas semi-cilíndricas encontradas durante escavações arqueológicas na Igreja de São Salvador (armênia ortodoxa), no Monte Sion.
Período romano-bizantino (70 - 638)
Quase todos os arquitetos cristãos do período inicial, de todas as culturas regionais comunitárias, copiavam abertamente os romanos. Os traços característicos da arquitetura romana eram o arco e a abóbada, em construções onde o telhado era em forma de cúpula. Os bizantinos ampliaram esta tendência posteriormente, construindo grandes edifícios em forma de cúpula, como a Hagia Sofia em Constantinopla.
A forma básica destas primeiras igrejas construídas era a basílica, uma grande sala pública, geralmente retangular, usada pelos romanos para reuniões públicas. A entrada dessas igrejas era geralmente através de um grande pátio colunado, chamado átrio, e de um vestíbulo, denominado nártex [ou pórtico]. A igreja era construída em forma de "T"; a linha vertical consistia de uma nave, flanqueada de modo geral por duas ou mais naves laterais. Uma abside - nicho semicircular e abobadado (comumente situado na extremidade oriental da igreja) - continha o altar-mór. Tais igrejas tinham, às vezes, o acréscimo de dois transeptos, formando os braços do "T". |
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A Basílica do Santo Sepulcro Y. Loeff |
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Este modelo foi empregado, no século IV, na construção da Igreja do Santo Sepulcro, composta originalmente de cinco elementos básicos: a Rotunda sobre o local da Tumba; uma capela construída sobre o Gólgota, o lugar da Cruz; um Pátio; uma grande Basílica, de cinco naves laterais, com a abside e o altar na extremidade ocidental, na direção da Tumba; e um átrio na entrada oriental da Basílica, pelo lado do Cardo Maximus, a rua principal, colunada, que vai para o sul, partindo da atual Porta de Damasco. (Uma seção parcialmente restaurada da extensão bizantina do Cardo pode ser vista no Quarteirão Judaico.)
Uma visita à atual Basílica do Santo Sepulcro revela muito pouco de sua estrutura bizantina original. A igreja foi queimada e saqueada pelos persas em 614, parcialmente reconstruída pelo Patriarca Modestos, danificada pelo terremoto de 808 e destruída em 1009 por ordem do califa fatímida al-Hakim. Uma parte da igreja foi novamente reconstruída pelo imperador bizantino Constantino Monômaco em 1048, mas a maior parte da construção existente hoje em dia é o resultado da ampliação e reconstrução feita pelos cruzados no século XII, assim como de reformas posteriores (o mais recente trabalho de preservação iniciou-se em 1959). Os arquitetos cruzados incorporaram à igreja que construíram o que restara da estrutura original bizantina, na área da Rotunda, do Gólgota e do Pátio. (Os pilares e colunas atuais da Rotunda são uma réplica aproximada em forma e desenho dos da igreja original do século IV, mas com a metade da altura.) A Basílica e o Átrio jamais foram reconstruídos. Contudo, uma parte da entrada oriental pelo Cardo Maximus pode ser vista no Albergue Russo Ortodoxo próximo, na rua al-Dabbaghin.
Reconstituição da igreja bizantina original (segundo Corbo)
Desde o tempo dos cruzados, os recintos e a estrutura da Basílica do Santo Sepulcro tornaram-se propriedade das três maiores denominações - os greco-ortodoxos, os armênio-ortodoxos e os católicos romanos - cujos direitos de possessão e uso são protegidos pelo Status Quo dos Lugares Santos, conforme assegura o Artigo LXII do Tratado de Berlim (1878). As várias capelas e santuários dentro do edifício são mobiliados e decorados segundo os costumes e ritos da comunidade religiosa possuidora. |
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A Edícula na Basílica do Santo Sepulcro Cortesia de Ariel |
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Os copta-ortodoxos egípcios, os etíope-ortodoxos e os sírio-ortodoxos também têm certos direitos e pequenas propriedades dentro da Basílica do Santo Sepulcro. A capela copta no lado ocidental da edícula tem como relíquia um fragmento de moldura de pedra de um monumento mais antigo, que pode ser visto sob o altar. Os sírio-ortodoxos têm uma capela no lado ocidental da Rotunda, na qual pode-se ver uma parte da parede exterior original do século IV. Os etíope-ortodoxos têm um mosteiro sobre o telhado da capela armênia de Santa Helena, entre as ruínas do século XII do claustro e do refeitório cruzados.
Uma conhecida técnica de construção bizantina era o uso de fiadas alternadas de pedra e tijolo na construção de muralhas. Isto pode ser visto em vários lugares na Basílica do Santo Sepulcro: na capela greco-ortodoxa de Adão, sob o Gólgota, e nos pilares de sustentação do Arco do Imperador, do século XI, entre a Rotunda e o catholicon grego. O visitante notará também que os cruzados fizeram uso renovado de capitéis bizantinos do tipo "cestaria".
A mais antiga construção numa igreja de Jerusalém é a cripta da igreja greco-ortodoxa de S. João Batista (Prodromos), no Quarteirão Cristão, que data do século V. Situada hoje em dia sob o nível da rua, a estrutura tem a forma de um trevo, com três absides (ao norte, leste e sul) e um nártex longo e estreito no lado ocidental. Quatro pilares sustentam a cúpula. O pavimento superior foi destruído pelos persas em 614, e foi reconstruído por S. João, o Esmoler, Patriarca de Alexandria e, posteriormente, no século XI, por mercadores italianos de Amalfi. A fachada atual e o pequeno campanário do pavimento superior são modernos. Chega-se à igreja através de um pátio, da Rua do Quarteirão Cristão. |
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A Igreja Néa Inscrição grega mencionando o Imperador Justiniano Cortesia de H. Geva |
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A abside e as muralhas de fundação da monumental Igreja Néa, a "Nova Igreja de Santa Maria, Mãe de Deus", construída pelo Imperador Justiniano em 543, encontradas em 1970 e 1982 durante escavações arqueológicas no Quarteirão Judaico da Cidade Velha, constituem outra importante ruína arquitetônica do período bizantino. Muito pouco foi encontrado da superestrutura do edifício, mas uma das grandes cisternas subterrâneas pode ainda ser vista.
A Porta Dourada, na muralha oriental da Cidade Velha, provavelmente também data do período bizantino. Há referências a um portão na muralha oriental do Monte do Templo durante o período do Segundo Templo, usado pelos sacerdotes na cerimônica bíblica da Vaca Vermelha; segundo uma tradição cristã posterior, foi por esta porta que Jesus entrou na cidade no Domingo de Ramos. Os arcos arredondados com molduras florais em relevo são muito similares ao duplo portão herodiano no lado meridional do Monte do Templo, e pesquisas arqueológicas realizadas na época do Mandato Britânico sugerem que a presente estrutura poderia estar situada no sítio do portão herodiano original. É possível que a porta atual tenha sido construída nos meados do século V pela Imperatriz Eudóxia, para lembrar a cura miraculosa do coxo por S. Pedro (Atos 3:1-10).
Arquitectura românica (500 - 1100)
Um estilo transitório de arquitetura - a românica - desenvolveu-se durante o século VI, incorporando o estilo basílico anterior com alguns elementos do estilo gótico, posterior e mais complexo. Desenvolvimento paralelo ocorreu na Armênia.
Os mais belos exemplos de arquitetura românica ainda encontrados em Jerusalém são a Igreja Mosteiro Greco-Ortodoxo da Santa Cruz, situada perto do Museu Israel e datando do século XI; e a Igreja de Santa Ana, do século XII, perto da Porta dos Leões, na Cidade Velha, que foi restaurada. |
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O Mosteiro da Santa Cruz Y. Loeff |
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O Mosteiro da Santa Cruz, em forma de fortaleza, foi construído no século XI pelo Rei Bagrat da Geórgia, no local de um santuário mais antigo. A igreja, à qual se entra por um nártex [pórtico], tem uma nave central e naves laterais, com uma cúpula sustentada por quatro pilares. Os afrescos dos séculos XII e XVII que decoram os pilares e as paredes da igreja narram a lenda da árvore de cuja madeira foi feita a cruz usada na crucificação de Jesus. Um dos afrescos homenageia o poeta nacional da Geórgia, Shota Rustaveli, do século XIII, que viveu no mosteiro. Desde o século XVI, o mosteiro pertence ao Patriarcado Greco-Ortodoxo, estando aberto aos visitantes na maior parte da semana. O chão contém seções lajeadas de mosaico de uma antiga igreja do século V. |
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A Igreja de Santa Ana Y. Loeff |
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A Igreja de Santa Ana, basílica dotada de cúpula, com uma nave central e duas laterais, é considerada uma das mais belas igrejas da cidade. O interior é simples, talvez testemunhando o fato de que, após 1192, o edifício foi utilizado como madrasa, academia religiosa muçulmana. (É curioso notar que nenhum dos capitéis sobre as colunas interiores são do mesmo desenho. Um deles retrata até uma vaca - ou um boi, talvez o símbolo de S. Lucas?) Em 1856, o sultão otomano deu a propriedade aos "Padres Brancos" católicos romanos, em sinal de gratidão pelo apoio da França durante a Guerra da Criméia. |
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A Interior de Catedral de S. Jaime Y. Loeff |
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O Quarteirão Armênio, murado (mais exatamente, o convento armênio de São Jaime), na parte sudoeste da Cidade Velha, contém várias igrejas e capelas que datam da Idade Média. A mais importante é a Catedral (armênia ortodoxa) de São Jaime, o Grande, adquirida dos georgianos em 1141. A presente estrutura incorpora elementos anteriores, inclusive a Capela de S. Menas, que talvez date do século V. A forma do interior da catedral - uma ampla nave central e estreitas naves laterais, separadas por quatro pilares quadrangulares que sustentam uma cúpula abobadada - é semelhante a igrejas existentes na Armênia. A entrada original era no lado meridional da igreja, mas em 1670 o pórtico foi fechado para criar a Capela de Etchmiadzin.
A Igreja dos Santos Arcanjos, armênia ortodoxa, situada nas proximidades, data do século XIII e sua forma é semelhante à de S. Jaime, mas em escala muito menor. Ambas as igrejas são decoradas com azulejos Kütahya, azuis e brancos, do século XVIII. As paredes do pátio de entrada para a catedral contêm ainda katchkars, pedras com cruzes e inscrições gravadas, doadas por peregrinos. A mais antiga data de 1151.
Uma igreja cruzada bem preservada foi descoberta há apenas alguns anos na Rua Aqabat al-Khalidiyya, próximo do Suq al-Qattanin (mercado dos comerciantes de algodão). Presume-se que seja a Igreja de S. Julião, mas não se sabe ao certo. Como vários outros edifícios religiosos dos cruzados, foi mais tarde utilizada para outros propósitos; mais recentemente, era usada como carpintaria e loja de móveis. É uma basílica de três naves laterais, com três absides, e seu projeto é semelhante ao de Santa Maria dos Alemães, igreja e albergue do século XII dos Cavaleiros de S. João, de fala alemã, cujas ruínas preservadas podem ser vistas na Rua Misgad Ladach, no Quarteirão Judaico.
Outras igrejas românicas e cruzadas sobreviveram como mesquitas e instituições religiosas e educacionais muçulmanas, mas não estão abertas a visitantes ocasionais.
Os contornos da Igreja de Santa Maria dos Latinos, do século XI, estão preservados na atual Igreja luterana alemã do Redentor, construída em 1898. O atual edifício incorpora ainda o pórtico setentrional datado da Idade Média com suas decorações do Zodíaco. Partes do claustro medieval estão preservados no Albergue Luterano adjacente.
Nem toda a arquitetura dos cruzados tinha finalidade religiosa. O Triplo Suq - os três bazares paralelos cobertos no centro da Cidade Velha - é predominantemente do período cruzado. Algumas das pilastras entre as lojas ainda ostentam as iniciais "S.A.", de Santa Ana, significando que eram propriedade da Igreja de Santa Ana.
Outra estrutura digna de menção é o Grande Mosteiro Greco-Ortodoxo, contíguo à Basílica do Santo Sepulcro pelo lado ocidental. Trata-se de um labirinto de salas, pátios, capelas, degraus e passagens de vários períodos. A Igreja de S. Thecla, a mais importante deste conjunto, data do século XII, mas é provável que o mosteiro seja ainda mais antigo. O telhado horizontal do mosteiro se estende sobre a Rua do Quarteirão Cristão, chegando até o telhado do Santo Sepulcro.
Arquitetura gótica (1100 - 1500) |
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A Tumba da Virgem Maria Y. Loeff
Entrada da Igreja de S. Marcos Y. Loeff
O Cenáculo W. Braun |
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Oestilo arquitetônico gótico desenvolveu-se a partir do românico, durante o século XII. Ele se distingue pela predominância de linhas verticais, pelo uso de arcos "quebrados" (ou pontudos), grupos de colunas, e grandes janelas decoradas. A arquitetura gótica fez uso também de intrincados e ricamente desenvolvidos entalhes em pedra, inclusive com desenhos excêntricos ou grotescos.
Por razões históricas, políticas e financeiras, a arquitetura cristã do final da Idade Média, em Jerusalém, não se elevou aos estilos arquitetônicos sublimes encontrados nas catedrais e igrejas góticas da Europa Ocidental. Assim mesmo, elementos góticos do período normando inicial podem ser encontrados no coro e no ambulatório da Basílica do Santo Sepulcro, que foram construídos pelos cruzados (dentro e em torno do presente catholicon greco-ortodoxo); no transepto meridional, de abóbada de arestas; e nos dois portais de arcos abaixados e pontudos da entrada principal, com seus característicos umbrais de porta colunados e molduras de arcos ornamentais. Os dois lintéis góticos do século XII, com volutas intrincadamente entalhadas e figuras, que enfeitavam os vãos das portas, encontram-se agora no Museu Rockefeller, em Jerusalém.
Portais arqueados similares do século XII podem ser vistos na entrada da pequena Igreja de S. Marcos, síria ortodoxa, nas cercanias da Porta de Jafa; e na fachada reforçada do subterrâneo da Tumba da Virgem Maria, construção cruzada, no Vale do Cédron.
Após a reconquista muçulmana, diminuiu o número de novas construções de edifícios religiosos cristãos. De modo geral, só eram permitidos trabalhos de reparo e manutenção. Uma notável exceção foi o Cenáculo, a Sala Superior, no Monte Sion, construído pelos franciscanos em seu retorno à cidade em 1335. O teto de abóbadas com arestas é típico gótico da época dos Lusignan (que reinaram em Chipre). O mihrab esculpido, nicho de oração muçulmano, foi acrescentado em 1523, quando os franciscanos foram expulsos do local e a sala foi transformada em mesquita.
Os pastichos do século XIX
Até 1833, a Custódia Franciscana da Terra Santa era a única representação cristã ocidental com permissão de residir em Jerusalém. Esta situação modificou-se durante os dez anos de ocupação militar da cidade pelo Paxá Ibraim, filho do governante do Egito, Mehemet Ali. Nesta época, as principais potências européias estabeleceram consulados na cidade. O controle político e administrativo otomano foi restaurado em 1844, mas os grandes poderes europeus consideravam-se então protetores das comunidades cristãs locais: a França era a protetora dos católicos romanos; a Rússia, dos ortodoxos orientais; e a Grã Bretanha e a Prússia cuidavam das comunidades protestantes. As igrejas nacionais da Grã Bretanha e da Prússia aproveitaram-se da situação para estabelecer uma presença protestante. Atividades semelhantes eram realizadas pela Igreja Russa Ortodoxa, e pelas igrejas e ordens religiosas católicas da Áustria, França e Itália. |
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O Khan Copta Y. Loeff |
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Via de regra, cada grupo tendia a favorecer um traçado arquitetônico que expressasse sua cultura e história. O resultado foi o embelezamento de Jerusalém com uma catedral rural inglesa, um palácio renascentista italiano, um pavilhão de caça do vale do Reno e um castelo escocês. Alguns dos construtores tentavam incluir um aspecto mais local, agregando elementos mouriscos e néo-clássicos em seus projetos. Algumas destas tentativas foram mais bem sucedidas do que outras. Todos os projetos, porém, tinham que se contentar com os materiais locais e os tradicionais métodos de construção. Por sua parte, as igrejas orientais, nativas, continuavam usando as formas tradicionais. Um exemplo disto é o Khan Copta, no lado setentrional do Reservatório de Ezequias. Construído em 1836 como estalagem para peregrinos cristãos egípcios, tem a forma clássica de um caravançará medieval, com uma porta de entrada e um pátio central.
O primeiro prédio eclesiástico ocidental construído em Jerusalém nesta época foi a Igreja de Cristo, anglicana, por dentro da Porta de Jafa, na Cidade Velha. Construída em 1849, e projetada em imitação do estilo Tudor, é a primeira e mais antiga igreja protestante no Oriente Médio. Não possui campanário, pois foi construída fictivamente como capela privada do cônsul-geral britânico. |
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A Catedral anglicana de S. Jorge Y. Loeff |
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Uma imagem semelhante da "Aprazível Inglaterra" encontra-se na Catedral de S. Jorge, o Mártir, anglicana, construída em 1898. Sendo uma versão em menor escala das catedrais rurais inglesas, poderia facilmente constituir o cenário de um dos romances de Trollope. A entrada é através de uma portaria em estilo pseudo-Tudor; em seu recinto há apartamentos para o deão e o bispo, uma hospedaria para peregrinos, uma escola de meninos e, nos últimos anos, um colégio de educação para adultos administrado pela Igreja Protestante Episcopal dos Estados Unidos, afiliada.
Em 1852, os católicos romanos iniciaram a construção do Patriarcado Latino, após a restauração desta função em 1847. A residência atual foi completada em 1858, e a catedral anexa, em 1872. A fachada, relativamente simples, é néo-gótica.
A construção greco-ortodoxa deste período tendia a favor do barroco otomano, como se pode verificar na fachada da Escola Greco-Ortodoxa, na Rua S. Demétrio, e pela forma do campanário do Mosteiro da Cruz. |
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A Catedral da Santíssima Trindade W. Braun
A Igreja e o Convento de Santa Maria Madalena
O Hospital Italiano Y. Loeff
O Colégio Terra Sancta W. Braun
O Mosteiro Ratisbonne Y. Loeff
A Igreja do Redentor W. Braun
A Capela Anglicana de S. Paulo Y. Loeff
O interior do Convento das Irmãs de Sion Y. Loeff
A Catedral e Mosteiro Etíope W. Braun |
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Uma espécie de estilo barroco setentrional foi o preferido na construção da Catedral da Santíssima Trindade, russa ortodoxa, inaugurada em 1871 dentro do Quarteirão Russo murado. Construído fora da Cidade Velha, este conjunto de edifícios incluía um consulado, um hospital, albergues e cozinhas para peregrinos russos ortodoxos. Um estilo "moscovita" mais tradicional foi usado no projeto da Igreja e Convento de Santa Maria Madalena, russa ortodoxa, com sua cúpula em forma de bulbo, construída em 1888 em Getsêmane.
Um dos prédios mais curiosos é o Hospital Italiano, de estilo florentino (onde funcionam hoje várias repartições do Ministério de Educação), situado na Rua dos Profetas. Estrutura surpreendente, combina elementos do Palazzo Vecchio e da Capela Medici.
Prédios de estilo néo-renascença mais acentuado são o Colégio Terra Sancta, construído pelos franciscanos e situado na Rua Keren Haiessod, e o Mosteiro Ratisbonne, mais antigo, dos Padres de Sion.
Os alemães preferiram o estilo néo-românico, do qual há quatro imponentes exemplos: a Igreja do Redentor, alemã luterana, construída em 1897 e situada na parte muristana da Cidade Velha; a Abadia da Dormição, católica romana, construída em 1901 no Monte Sion; o Albergue de S. Paulo, católico romano, construído em 1910 em frente à Porta de Damasco (onde funciona hoje em dia o Colégio Schmidt); e a Igreja da Ascensão, alemã luterana, no Monte das Oliveiras, também construída em 1910 como parte do Hospital Augusta Vitória. A decoração interior, os afrescos e os mosaicos da Igreja da Ascensão são importantes para os estudantes da arte alemã do século XIX, pois pretenderam imitar os mesmos elementos da Igreja em memória do Kaiser Guilherme I, em Berlim, que foi destruída durante a 20 Guerra Mundial. Importantes decorações semelhantes, do estilo do final do século XIX, foram usadas na capela católica romana do Albergue Austríaco, em frente à 40 Estação da Cruz, na Via Dolorosa.
Um dos arquitetos ocidentais de maior sucesso que trabalharam em Jerusalém nos meados do século XIX foi o engenheiro Dr. Conrad Schick, também arqueólogo bíblico pioneiro, alemão de nascimento, cujo projeto da Capela Anglicana de S. Paulo, na Rua dos Profetas, é uma jóia de "vulgaridade" vitoriana, embora tenha sido construída de pedra calcária local. Uso semelhante de pedra na construção de casas em estilo europeu setentrional pode ser visto na Colônia Alemã, no bairro de Emek Refaim, ao sul da estação ferroviária de Jerusalém.
Vários edifícios construídos nesta época procuraram incorporar motivos adaptados de achados arqueológicos recentes. Isto pode ser notado na ornamentação do Hospital Francês e do Convento de S. Vicente de Paula. Contudo, no caso do Convento das Irmãs de Sion, a arqueologia tornou-se o centro do foco arquitetônico, após a descoberta, em 1851, de uma porção do que parece ter sido um dos portões da cidade, construído no século I por Herodes Agripas I, e posteriormente reconstruído como um arco do triunfo romano durante o reinado do Imperador Adriano (aproximadamente, no ano 135). Quando o atual convento foi construído em 1868, o arco oriental do monumento recentemente descoberto foi incorporado ao desenho da capela do convento, constituindo uma espetacular moldura para o altar.
A arqueologia influenciou ainda o projeto da Igreja de Santo Estêvão, construída em 1900 pelos dominicanos franceses, como parte da Escola Bíblica e Arqueológica Francesa. O projeto se assemelha a uma basílica clássica e, na verdade, a presente estrutura foi construída no sítio de um antigo santuário bizantino. Remanescentes do piso de mosaico, que data do século V, podem ser vistos no átrio e na nave central da igreja.
A arquitetura européia do século XIX podia ser tão funcional como decorativa em Jerusalém; isto se evidencia pela residência do próprio Conrad Schick, a Casa Thabor, na Rua dos Profetas. Construída em 1882, nela funciona hoje em dia o Instituto Teológico Sueco. Uma das primeiras residências modernas fora da cidade velha, foi construída segundo os métodos tradicionais de edificação, com paredes feitas de uma mistura de pedra e terra (conforme foi descoberto durante uma restauração recente), mas os cômodos da casa principal têm tetos europeus retos. Outros edifícios históricos do século XIX na Rua dos Profetas são o antigo Hospital Alemão das Diaconisas, com seu telhado em cúpula de folha de flandres (hoje um anexo do Hospital Bikur Cholim) e os cintilantes pavilhões semi-circulares do antigo Hospital Inglês (hoje a Escola Anglicana).
Perto dali, na Rua Etiópia, fica o conjunto murado da Catedral e Mosteiro Etíope, construído em 1896. A igreja foi construída com perfeição. O santuário oculto é o centro do edifício, cercado por um ambulatório onde fica a congregação. Arquitetura moderna
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A Igreja de Todas as Nações W. Braun
A Capela de Dominus Flevit W. Braun
Igreja e Albergue Escocês de Santo André Y. Loeff
A ACM Internacional de Jerusalém Y. Loeff
A Igreja Batista na Rua Narkiss W. Braun
O Centro (Mórmon) de Jerusalém para Estudos do Oriente Médio W. Braun
A Igreja de Bethphage Y. Loeff
A Basílica do Santo Sepulcro, interior da cúpula da Rotunda Y. Loeff |
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Otraço arquitetônico mais característico da moderna Jerusalém é o fato de que todos os prédios são revestidos de pedra - até mesmo as toaletes públicas! Este é o resultado de uma decisão estética tomada no início da década de 1920 pelo primeiro governador britânico de Jerusalém, Sir Ronald Storrs, que promulgou este decreto municipal. O resultado foi dar à cidade uma certa uniformidade de caráter. E embora possa haver visíveis incongruências entre o projeto e o material utilizado, a exigência conseguiu, de modo geral, ter um efeito moderador sobre os projetos mais radicais.
Encontram-se em Jerusalém três exemplos da obra do arquiteto católico romano Antonio Barluzzi, que criou uma série de igrejas e santuários para a Custódia Franciscana da Terra Santa:
- a ornamentada Igreja de Todas as Nações, no Jardim de Getsêmane, construída em 1924; - a torre da igreja em estilo românico, projetada para a igreja franciscana em Bethphage durante a reforma realizada em 1954; - e a pequena Capela de Dominus Flevit no Monte das Oliveiras, construída em 1955. Afastando-se radicalmente de seu estilo conservador usual, Barluzzi projetou o prédio da capela como uma lágrima estilizada em forma de cruz grega.
As linhas limpas e simples da Igreja e Albergue Escocês de Santo André, que se ergue na extremidade do Vale de Hinom, evoca imagens de um castelo e sua torre nas montanhas da Escócia. Isto não é de espantar, uma vez que a igreja foi construída em memória dos soldados escoceses caídos em combates nesta região durante a 1a Guerra Mundial. A igreja foi erigida em 1927 segundo o projeto de Clifford Holliday. Os grandes vitrais do santuário, de estilo cruzado, são feitos de pequenos painéis de vidro azul de Hebron.
Mais eclético é o imponente edifício da ACM Internacional de Jerusalém. Inaugurado em 1933, foi projetado por A. L. Harmon, o arquiteto do Empire State Building. O arcanjo da torre do carrilhão, em baixo-relevo, foi criação do artista Zeev Raban, de Bezalel. Os capitéis ao longo da galeria são esculpidos com representações da flora e da fauna locais, assim como os capitéis ao longo das arcadas que conduzem às duas extensões em forma de cúpula, uma das quais contém o auditório ornamentado no estilo bizantino, e a outra, o ginásio de esportes.
O novo e moderno santuário da Congregação Batista na Rua Narkiss apresenta linhas simples e funcionalismo confortável, num projeto que se integra ao estilo "Bauhaus" internacional da vizinhança. Uma abordagem igualmente modernista caracterizou o projeto do Centro de Jerusalém para Estudos do Oriente Médio, do arquiteto David Resnik, nascido no Brasil; o edifício foi construído em 1988 como uma ramificação da Igreja Mórmon, afiliada à Universidade Brigham Young. Situado na encosta meridional do Monte Scopus, sua arquitetura tira vantagem da situação e de um panorama excepcional, especialmente no salão de concertos, de paredes de vidro, de onde a audiência pode contemplar a Cidade Velha e o Monte do Templo.
As igrejas orientais, contudo, continuam a seguir as linhas tradicionais, sobretudo na construção de novas igrejas. Um exemplo desta tendência é a Igreja Greco-Ortodoxa de Bethphage, recentemente construída, que é classicamente bizantina.
O que talvez seja bastante simbólico para o novo Milênio é o fato de que os mais recentes trabalhos de construção cristã em Jerusalém tenham sido de renovação e restauração da cúpula da Rotunda na Basílica do Santo Sepulcro. Pode-se dizer que os primeiros serão os últimos, e os últimos serão os primeiros. |
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