Belvoir - Fortaleza cruzada dominando o Vale do Jordao

14 Mar 2000
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Belvoir - Fortaleza cruzada dominando o Vale do Jordão
 
 
 

A segurança do Reino Cruzado de Jerusalém no século XII dependia de uma rede de fortificações, sobretudo ao longo das fronteiras orientais, as mais vulneráveis aos ataques dos muçulmanos.

A fortaleza cruzada de Belvoir localiza-se numa colina do planalto de Naftali, a uns 20 km ao sul do Mar da Galiléia e cerca de 500 m acima do Vale do Jordão. Ela domina o sinuoso Rio Jordão abaixo e está diante das colinas de Guilead, no atual Reino da Jordânia. Belvoir - Bela Vista - foi assim denominada com muita razão pelos cruzados. Em hebraico seu nome é Kochav Hayarden - Estrela do Jordão - preservando o nome de Kochav, uma aldeia judia lá existente nos períodos romano e bizantino. Os muçulmanos a denominam Kaukab al-Hawa - Estrela dos Ventos.

A primeira estrutura edificada sobre a colina era modesta; era parte do domínio feudal de um nobre francês chamado Velos, que vivia em Tiberíades. Ele vendeu o local à Ordem dos Hospitalares em 1168; os Hospitalares perceberam a importância estratégica do local e erigiram uma enorme fortaleza com defesas impenetráveis. Lá do alto, a guarnição podia observar de perto a ponte sobre o Jordão, que constituía a entrada oriental de Guilead ao reino cruzado, assim como as estradas no vale que conduziam à Galiléia.

Belvoir consistia de uma fortaleza exterior quadrada, dentro da qual encontrava-se uma outra fortaleza interna, menor e também quadrada. Suas paredes tinham sido construídas de grandes pedras de cantaria de basalto, seguras por juntas de ferro em forma de U. Cisternas bem protegidas, que coletavam a água das chuvas, garantiam o fornecimento de água nos tempos de sítio.

A Fortaleza Exterior

A fortaleza exterior é um quadrado de 110 x 110 m. No lado oriental foi construída uma enorme torre externa cercada por uma parede baixa (barbacã), que controlava o espaço morto na encosta da colina, tanto visualmente como por capacidade de fogo. A entrada principal da fortaleza era através de um portão externo no canto sudeste. Daí prosseguia-se por uma rampa pavimentada até o topo da torre externa, virava-se para trás e se continuava até o portão interno da fortaleza. Esta entrada fortificada era fechada por uma porta de madeira revestida de metal e trancada por dentro por uma pesada trave de madeira que se encaixava nas ranhuras situadas nos batentes da porta. Havia uma entrada secundária pelo oeste, por uma ponte suspensa sobre o fosso , que podia ser levantada ou destruída quando a fortaleza era atacada.

 
 
 

Um fosso artificial, de 20 m de largura e 14 m de profundidade cercava a fortaleza por três lados, sendo que a encosta íngreme e a torre externa protegiam o lado oriental. O fosso era vazio e destinava-se a impedir que máquinas de cerco, como aríetes ou torres de assalto, pudessem se aproximar das fortificações.

Enormes torres erguiam-se nos quatro cantos da fortaleza, com outras adicionais nos pontos centrais. As bases largas das torres iam até o fundo do fosso, para que não fosse possível cavar túneis sob elas. Nos pavimentos superiores das torres havia seteiras protegidas por recessos cobertos. A localização das torres era tal que toda a circunferência da fortaleza podia ser coberta por fogo cruzado. Em quase todas as torres havia portas de saída para o fosso, com escadas estreitas; os degraus eram especialmente altos, sem dúvida para dificultar a penetração do inimigo.

No pátio situado entre as muralhas das duas fortalezas, a exterior e a interior, havia grandes salas de cobertura abobadada. Elas serviam de estábulos, armazéns e alojamentos, e davam acesso às posições de defesa no telhado.

A Fortaleza Interior

Por dentro da fortaleza externa, e separada desta pelo pátio, ficava o forte interno (torreão). Era uma estrutura quadrada de 50 x 50 m, com dois pavimentos, cercada por uma muralha com torres nos cantos. Este forte interno poderia suportar cerco mesmo depois que a fortaleza principal externa caísse nas mãos dos inimigos. A entrada principal era no lado ocidental. No centro havia um pátio aberto cercado por espaços abobadados, onde estavam o refeitório, a cozinha, o salão de reunião, depósitos, alojamentos, etc. O andar superior era a sala do comandante do forte, incluindo os apartamentos dos nobres e uma pequena capela construída de pedra calcárea e de teto abobadado em forma de cruz.

A fortaleza de Belvoir cumpriu seu papel de obstáculo principal às tentativas dos muçulmanos de invadir o reino cruzado a partir do oriente. Ela foi atacada pelas forças muçulmanas em 1180, mas suas poderosas fortificações resistiram ao ataque.

Depois que o exército muçulmano comandado por Salach al-Din (Saladino) derrotou os cruzados na batalha dos Chifres de Hittin, Belvoir foi cercada. O sítio durou um ano e meio, até que seus defensores renderam-se em 5 de janeiro de 1189.

As fortificações de Belvoir foram desmanteladas em 1217-18 pelos governadores muçulmanos que temiam a reconquista da fortaleza pelos cruzados. Em 1240 Belvoir foi cedida aos cruzados por um acordo; a falta de fundos não lhes permitiu restaurar as fortificações, que retornaram ao controle muçulmano alguns anos depois.

A fortaleza de Belvoir permaneceu em ruínas até que se realizaram grandes escavações em 1966. As fortificações, bem preservadas sob massas de entulho, foram reveladas e, após o término dos trabalhos de restauração, o sítio foi aberto aos visitantes. Ela é a mais completa e impressionante fortaleza cruzada em Israel.

As escavações foram realizadas sob a direção de M. Ben-Dov em nome da Autarquia de Parques Nacionais de Israel.