ECONOMIA- Os Setores da Economia

3 Jan 2002
 
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Os Setores da Economia
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
Principais Indicadores
por Ramo da Economia (1996)
(em porcentagem)
Ramo PNB Mão-
de-obra
Exporta-
ções
Investi-
mentos
Indústria 21 22 59 23
Agricultura 2 3 2 2
Construção 8 10 - 35
Transportes e Comunicações 9 6 5 22
Serviços comerciais,
financeiros e pessoais
27 33 34 8
Serviços públicos 33 26 - 10

Fonte: Banco de Israel, Relatório Anual, 1996

Agricultura

A agricultura de Israel é a história do sucesso de uma longa e difícil luta contra condições adversas, conseguindo o máximo de aproveitamento da pouca água e terra arável disponíveis. Quando os judeus começaram a recolonizar sua pátria histórica no final do século XIX, seus primeiros esforços se concentraram na transformação da terra árida em campos férteis.

Desde que Israel tornou-se independente, em 1948, a área total cultivada aumentou 2,6 vezes, até chegar aos 445 mil hectares de hoje, sendo que a área irrigada aumentou 8 vezes, até os 240 mil hectares atuais. Este crescimento cessou na década de 80, em resultado do aumento do déficit de água e do processo de urbanização. Durante aquele período, o número de assentamentos agrícolas cresceu de 400 para 750 mas, à medida que a sociedade foi se tornando cada vez mais urbana, a proporção da população que neles vive caiu de 12 para menos de 6%.

Hoje a produção interna atende à maior parte das necessidades de alimentos de Israel, suplementada pela importação de alguns gêneros, principalmente cereais, sementes oleaginosas, carne, café, cacau e açúcar; tais importações são mais do que financiadas pelas exportações agrícolas. A produção rural consiste sobretudo de derivados de leite e aves, assim como uma ampla variedade de flores, frutas, legumes e verduras. Durante os meses de inverno, Israel é a estufa da Europa, exportando rosas de hastes longas, cravos, melões, tomates, pepinos, pimentões, morangos, quivis, mangas, abacates e uma grande variedade de cítricos.

O segredo do sucesso agrícola de Israel reside na estreita interação entre agricultores e pesquisadores (de organismos financiados pelo governo), que cooperam para o desenvolvimento e aplicação de métodos sofisticados em todos os ramos da agricultura, assim como de avanços tecnológicos, como novas técnicas de irrigação e implementos agromecânicos inovadores.

A participação da produção agrícola no PNB diminuiu de cerca de 11% em 1950 para 3% na década de 90, enquanto que a proporção das exportações agrícolas decresceu de 60 a 3% do total exportado - apesar de haver um crescimento em valor absoluto das exportações anuais: de 20 para 740 milhões de dólares (em 1995), devido, entre outros, à extensiva introdução de métodos agrícolas inovadores e ao cultivo orientado para a exportação.

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  Indústria

O setor industrial, hoje dinâmico e amplamente diversificado, desenvolveu-se a partir de oficinas de manufaturação de implementos rurais e de processamento de produtos agrícolas, criadas há um século atrás. A indústria local foi incentivada durante a II Guerra Mundial (1939-1945), quando as forças aliadas estacionadas na região necessitavam de abastecimento, especialmente roupas e enlatados. No entanto, a moderna indústria só atingiu um estágio significativo de desenvolvimento no começo dos anos 60, já que na década anterior a maioria dos recursos era destinada ao desenvolvimento agrícola e à construção da infra-estrutura nacional.

Em conseqüência da alta qualidade da mão-de-obra do país e da carência da maior parte das matérias primas básicas, a indústria de Israel concentrou-se na manufatura de produtos de alto valor agregado, baseando-se, para seu desenvolvimento, em sua própria criatividade científica e inovação tecnológica. Até os anos 70, os ramos industriais tradicionais (processamento alimentício, têxteis e moda, móveis, fertilizantes, pesticidas, assim como produtos farmacêuticos, químicos, de borracha, plástico e metal) constituiam a maioria da produção industrial do país. Nas duas últimas décadas, registraram-se avanços de nível internacional nos campos da eletrônica médica, agrotecnologia, telecomunicações, produtos químicos sofisticados, computação (hardware e software), assim como corte e lapidação de diamantes. Os mais altos índices de crescimento estão nos setores de alta tecnologia, que demandam muito capital e requerem técnicas de produção sofisticada, além de considerável investimento em P&D.

Em 1995, cerca de 19.000 firmas industriais, que empregaram mais de 412.000 trabalhadores (14% dos quais possuidores de instrução superior), tiveram uma produção de 50 bilhões de dólares, 34% dos quais foi exportado. Ao contrário dos países desenvolvidos, nos quais o número de empregados permaneceu estável ou diminuiu na década de 90 (com excessão do Japão, que acusou um aumento de 2,4%) em Israel este número aumentou em 16,8%.

O índice de crescimento da produção industrial de Israel entre 1990 e 1994 - 32,5% - foi o segundo mais alto das economias ocidentais (o da Coréia foi de 34,5%). Os investimentos na indústria somaram 4,3 bilhões de dólares em 1995, um aumento de 10% em relação a 1994 (no qual o índice de aumento atingira o recorde de 24%). O crescimento mais significativo no campo industrial ocorreu nos setores de alta tecnologia, que concorreram com 37% da produção industrial em 1965, 58% em 1985 e 62% nos últimos anos. Quase a metade desta produção é exportada (o que representa 66% do total de exportação industrial), ao passo que as firmas mais tradicionais, de baixa tecnologia, exportam apenas cerca de 39% de sua produção. Mais de 90% dos 650 milhões de dólares dedicados a pesquisa e desenvolvimento industrial em 1995 foram gastos por firmas de tecnologia sofisticada.

A indústria de diamantes de Israel exportou mais de 4,6 bilhões de dólares em 1995, produzindo cerca de 80% do total mundial de pedras pequenas lapidadas - isto é, a maioria das gemas utilizadas em jóias. Esta indústria é também responsável por 40% da lapidação de diamantes de todos os tamanhos e formas, o que torna Israel o mais importante centro mundial de lapidação de diamantes, tanto em termos de produção quanto de comercialização.

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  Construção Civil

Nos primeiros anos do estado, a construção de edifícios residenciais correspondia a 84% do total de obras executadas. Nos anos seguintes, esta porcentagem oscilou entre 70 e 75%, até que em 1991 elevou-se a 86%, para atender às necessidades das novas ondas de imigração. Por conseguinte, a produção do setor da construção subiu drasticamente em 1990-91. O número de unidades residenciais construídas anualmente tem flutuado desde então entre 83.000 e 33.000, tendo atingido os 62.600 em 1995. Considerada em outros tempos como uma das principais atividades econômicas - e até mesmo o barômetro da economia - a construção civil, que contribuíra com 30% do PNB em 1950, participou em 1995 com apenas 6,5%.

Embora a princípio quase todas as construções fossem resultado de iniciativa e investimento governamentais, esta proporção foi diminuindo gradualmente, de 67 a 16%, entre 1958 e 1989. Contudo, esta proporção tornou a subir (atingindo 74% em 1991), pois o setor privado não conseguiu atender à demanda criada pela repentina chegada de centenas de milhares de imigrantes. Em 1995, a contribuição do governo foi de 44%.

Transportes e Comunicações

Contribuindo com cerca de 8% do PNB, o setor de transportes e comunicações responde por 10% das exportações de bens e serviços e emprega 6% da mão-de-obra do país. 47% de sua produção é representado pelo transporte terrestre, 22% pela navegação marítima e aérea, 20% pelas comunicações e o restante por vários outros serviços, como armazenamento e estacionamento.

Em comparação com o início da década de 50, a tonelagem bruta total da frota mercante cresceu mais de dez vezes, enquanto as companhias aéreas transportam um número cem vezes maior de passageiros. No mesmo período, a quilometragem das estradas dobrou, o número de ônibus mais que triplicou e o de caminhões é dez vezes maior.

Turismo

Uns 2.530.000 turistas visitaram Israel em 1995, em contraste com 33.000 em 1950, 118.000 em 1960, 441.000 em 1970, 1.180.000 em 1980 e 1.340.000 em 1990. Eles vêm atraídos pela diversidade geográfica de Israel, seus sítios arqueológicos e religiosos, pelo sol que brilha quase o ano inteiro e pelas modernas instalações de recreação no Mediterrâneo, no Lago Kineret (mar da Galiléia), no Mar Vermelho e no Mar Morto. Quase 90% do afluxo anual de turistas vem da Europa e das Américas; os outros vêm de todo o mundo, inclusive visitantes provenientes de países árabes.

O turismo é uma importante fonte de receita em moeda estrangeira (3,1 bilhões de dólares em 1995), contribuindo com 3,5% do PNB e 10,6% do total de exportações, com um valor agregado de 85% (o que o torna o setor líder em valor agregado entre as indústrias de exportações do país). Cerca de 50.000 empregados estão diretamente envolvidos na infra-estrutura turística do país. O turismo, com seu enorme potencial, constitui um importante fator do planejamento econômico de Israel, com vistas à eliminação do déficit na balança de pagamentos.