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A Bíblia judaica e o Novo Testamento

12 Apr 2009

 

Dr. Roni Kedmi

A Bíblia Sagrada do Povo Judaico é o Velho Testamento, ou Tanakh, em hebraico, constituída por Torah (Lei), Profetas e Outros Escritos.

Entre outros assuntos, a Bíblia refere diversas alianças que Deus constituiu com o povo de Israel:

1) A Aliança com Noé (Génesis, 9:8-17) Deus prometeu a Noé que a humanidade não seria totalmente destruída pelo dilúvio. Esta aliança é unilateral e foi cumprida por Deus: "Eu me lembrarei do concerto, que fiz convosco, e com toda a alma vivente, que anima a sua carne. E não tornará a haver dilúvio, que faça perecer nas águas toda a carne." (9, 15)

2) A Aliança com Abraão (Génesis, 15:18) – em hebraico "Brith bein habetarim". Nesta aliança, foi prometida a Terra de Israel aos descendentes de Abraão. "Naquele dia fez o Senhor concerto com Abraão, dizendo: Eu darei à tua posteridade esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates. Os Cineus, os Cineseus e os Cedmoneus.  E os Heteus, e os Ferezeus e os Refains também. E os Amoreus, e os Cananitas e os Gergeseus e os Jebuseus." (Génesis, 15: 18-21) Esta aliança é unilateral e depende apenas de Deus.

3) Aliança com Moisés – (Êxodo 19:31, Deuteronómio 27:30) Deus compromete-se a conceder ao Povo de Israel o estatuto de povo eleito, se cumprir as suas exigências. Esta aliança é bilateral. Se o Povo de Israel infringir as condições da Aliança, Deus castigá-lo-á. "Guardai, pois, as palavras deste pacto, e cumpri-as, de sorte que tudo o que fizerdes o façais com inteligência" (Deuteronómio 29,9).

4) Aliança com Fineas, o sacerdote, e com a sua descendência (Números 25: 10-13) – Deus promete a Fineas e à sua descendência que O servirão, como sacerdotes. "E que a ele e à sua descendência lhe será dado o sacerdócio por um pacto eterno; porque foi zeloso pelo seu Deus, e expiou a maldade dos filhos de Israel." (Números 25: 13).

5) Aliança com David e sua descendência (II Reis 7: 8-16) – Deus promete a David que a sua descendência reinará para sempre.
"Suscitarei depois de ti a teu filho, que procederá do teu ventre, e firmarei o seu reino." "Ele edificará uma casa em meu nome; e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino. Eu lhe serei pai, e ele me será filho; se ele cometer alguma coisa injusta, eu o castigarei com vara de homens e com açoites de filhos de homens. Porém não retirarei dele a minha misericórdia, como a retirei de Saul, a quem lancei de diante ti. E a tua casa será estável e o teu reino se perpetuará diante de ti: E o teu trono será firme para sempre" (II Reis, 7: 12-16)

6) A Nova Aliança (Jeremias 31:31-34, Ezequiel 37:26) – Deus promete celebrar com Israel uma nova aliança, diferente da aliança que celebrou com Moisés, posto que essa foi infringida:
"Eis aí virão os dias, diz o Senhor, e farei nova aliança com a Casa de Israel, e com a casa de Judá. Não segundo o pacto que eu fiz com seus pais, no dia em que eu os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito: Pacto que eles invalidaram e eu mostrei o meu poder sobre eles, diz o Senhor. Mas esta será a aliança que farei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: Imprimirei a minha lei nas suas entranhas, e as escreverei nos seus corações, e eu lhes serei o seu Deus e eles me serão o meu povo. E não ensinará, daí em diante, varão ao seu próximo, nem varão ao seu irmão, dizendo: Conhece o Senhor. Porque todos me conhecerão, desde o mais pequeno deles até ao maior, diz o Senhor, porque perdoarei a maldade deles e não me lembrarei mais do seu pecado. (Jeremias 31:31-34)

Na Segunda Epístola aos Coríntios 3:6, Paulo declara-se ministro do "Novo Testamento" e às "palavras de Moisés", chama Antigo Testamento "Pelo que, até ao dia de hoje, quando leem a Moisés, o véu está posto sobre o coração deles." (Segunda Epístola aos Coríntios 3:15)

A partir daqui, os livros canónicos que constituem a Bíblia (Tanakh), são chamados o "Antigo Testamento", "Chamando-o pois novo, deu por antiquado o primeiro. E o que se dá por antiquado, e envelhece, perto está de perecer. (Epístola aos Hebreus 8:13).

Os livros da Tanakh constituem a primeira parte do cânon das Escrituras Sagradas dos cristãos. A segunda parte ocupa-se da vida de Jesus e da sua doutrina, Atos dos Apóstolos e Apocalipse. É chamada "Novo Testamento" em razão da Nova Aliança, celebrada com Deus, em consequência da crucificação de Jesus: "Mas agora aquele alcançou tanto melhor ministério, quanto é mediador ainda de melhor testamento, o qual está estabelecido em melhores promessas" (Epístola aos Hebreus, 8:6). "Por isso é mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões cometidas debaixo do primeiro pacto, os chamados recebam a promessa da herança eterna" (Epístola aos Hebreus, 9:15).

Segundo a doutrina cristã, os personagens e os eventos que figuram na Tanakh são interpretados como anunciadores ou como símbolos dos eventos do "Novo Testamento" ligados com a vida de Jesus. Assim, a Tanakh é tomada como pré-figuração do Novo Testamento. Por exemplo, o sacrifício de Isaac simboliza a crucificação de Jesus.

Segundo esta perceção interpretativa, temas da Tanakh encontram expressão na arte cristã.

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