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Jerusalem - A Igreja Nea e o Cardo

14 Mar 2000

 SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS EM ISRAEL

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Jerusalém - A Igreja Néa e o Cardo

 
 

 

Durante o período bizantino (séculos IV-VII), Jerusalém foi uma cidade cristã, com muitas igrejas. A mais importante era a Basílica do Santo Sepulcro, sobre o sítio onde, segundo a tradição, ocorrera a crucificação e o sepultamento de Jesus, e que fora construída por Constantino, o Grande, no início do século IV. Também havia a imponente Igreja Néa, construída pelo imperador Justiniano nos meados do século VI, apogeu da era cristã de Jerusalém. Milhares de peregrinos cristãos vinham a Jerusalém para orar e deixaram muitas descrições por escrito da cidade e de seus Lugares Santos. O mais importante testemunho sobre a Jerusalém bizantina, porém, é o famoso mapa de Madaba, um mosaico colorido, que se encontra no piso de uma igreja (localizada na Jordânia atual) construída no final do século VI.

O mapa, uma bela vista aérea de Jerusalém, mostra em detalhes as muralhas, os portões, as ruas principais e as igrejas da cidade. A via principal, Cardo maximus (Cardo, resumidamente), era uma rua colunada que atravessava a cidade de norte a sul, a partir da atual Porta de Damasco até a Porta de Sion. Ao longo do Cardo, no mapa, distinguem-se claramente duas igrejas - a do Santo Sepulcro, no norte, e a Igreja Néa, na extremidade meridional.

O mapa de Madaba, que é a mais antiga representação gráfica de Jerusalém, guiou os arqueólogos em suas buscas dos remanescentes da Jerusalém bizantina. Após a reunificação de Jerusalém em 1967, realizaram-se escavações no Quarteirão Judaico (sudeste da Cidade Velha). A Igreja Néa e o Cardo foram descobertos, nos locais marcados no mapa de Madaba.

A Igreja Néa

Em Jerusalém, ele (Justiniano) construiu uma igreja incomparável em homenagem à Virgem. Ela é chamada a Igreja Nova (Néa). Assim escreveu Procópio, historiador da corte do imperador Justiniano. O nome completo do santuário era Igreja de Maria, Mãe de Deus. Procópio narra detalhes de sua construção e os nomes dos vários edifícios que constituíam o grande conjunto da igreja.

Algumas porções da igreja foram desenterradas na encosta meridional do Quarteirão Judaico da Cidade Velha. A igreja foi construída sobre um pódio maciço, sustentado por espessas muralhas de pedra e concreto apoiadas sobre um profundo alicerce. Tratava-se de uma grande estrutura, com 115 m de comprimento e 57 m de largura, dividida por quatro fileiras de colunas que sustentavam o teto. A parede oriental era especialmente larga (6,5 m) e continha absides laterais de 5 m de diâmetro. O chão era revestido de mármore.

Ao longo do lado meridional da igreja, onde os alicerces são muito profundos, foi encontrado um grande reservatório de água subterrâneo, completamente preservado, sobre o qual foram construídas algumas das dependências da igreja. O reservatório mede 33 x 17 m, e está dividido em galerias subterrâneas sustentadas por arcos que se apóiam sobre enormes pilastras (5 x 3,5 m), de dez metros de altura. O interior do reservatório estava revestido com uma grossa camada de gesso duro, e sua capacidade era de milhares de litros.

 
 

 

Uma surpreendente descoberta foi a inscrição dedicatória colocada no reservatório de água. Encontrada no alto da parede meridional, a inscrição em grego, de letras vermelhas pintadas em relevo, diz:

Esta é a obra que nosso piedosíssimo Imperador Flávio Justiniano executou com munificência, sob o cuidado e a devoção do santíssimo Constantino, padre e Hegúmeno, no 13 (ano da) indicção.
(Provavelmente o ano 549-550)

A inscrição constitui evidência para a identificação dos remanescentes como a Igreja Néa, sendo sua localização corroborada pelo mapa de Madaba.

 
 

 

 

O Cardo

Os remanescentes de uma primorosa rua colunada no sentido norte-sul - o Cardo - foram encontrados no centro do Quarteirão Judaico, exatamente como o mapa de Madaba indica. Foi exposta uma seção de 200 m de comprimento, situada 4 m abaixo do nível da rua atual. Sua parte setentrional se apoiava sobre um aterro de vários metros, enquanto que a extremidade meridional situava-se sobre rocha nivelada, o que criava uma escarpa rochosa de 6 m de altura no lado ocidental.

O Cardo tinha 22,5 m de largura, sendo dividido por duas fileiras de colunas, criando uma rua larga, flanqueada nos dois lados por uma passagem de pedestres coberta de 5 m de largura. Uma estrutura de vigas de madeira sustentava o telhado, provavelmente de telhas de cerâmica. Contígua à rua, pelo lado oriental, havia uma arcada cujos grandes arcos eram sustentados por pilastras de pedra lavrada. Ao longo de sua parte sudoeste, havia lojas, e outras se localizavam por trás da arcada.

As colunas monolíticas, de calcário rijo, foram encontradas em fragmentos, incorporadas a estruturas posteriores. As bases são em perfil ático, ao passo que os capitéis são entalhados em estilo coríntio. As colunas, de cinco metros de altura, foram reconstituídas em suas posições originais na Cardo. As pedras de pavimentação, cuidadosamente desbastadas e arrumadas em fileiras paralelas, estão lisas e rachadas pelo tempo.

A parte meridional do Cardo, exposta no Quarteirão Judaico, foi construída durante o reinado do imperador Justiniano (527-565), como continuação da parte setentrional mais antiga, romana, ligando desta forma as duas principais igrejas da Jerusalém bizantina - a Basílica do Santo Sepulcro e a Igreja Néa.

Hoje, como há 1.500 anos atrás, pode-se caminhar ao longo da parte reconstruída do Cardo. No século XII, os cruzados construíram um bazar coberto sobre uma seção do Cardo; desta seção, os escombros dos séculos foram removidos, e lojas modernas oferecem seus artigos aos compradores.

Os remanescentes da Igreja Néa e do Cardo foram escavados por N. Avigad, em nome da Universidade Hebraica de Jerusalém.

 

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